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Cena Recife


Coletânea Cena Recife


Foto:Augusto Galdino




CENA RECIFE INICIATIVA PRA RENOVAÇÃO MUSICAL
As bandas revigorando o cenário musical, 19 grupos que se reúnem para fazer barulho.

Por Jetro Rocha

   A efervescência roqueira no Recife foi muito gritante no bairro de Casa Amarela nos anos 90, expressando-se fortemente com o rock n’ roll, onde Hebert Lima, 29 anos, guitarrista e compositor, viveu sua adolescência. Foi vendo e ouvindo estas manifestações muito primárias de eventos com palcos, lugares e instrumentos precários que veio a vontade de tocar numa banda pra fazer parte daquele movimento de identificação, que reunia muita gente compartilhando a mesma vontade, ideologia e gosto pela música mais agressiva. Hebert de certa forma acompanhava, de longe o movimento de Casa Amarela, no entanto, havia a tendência de agrupar, para igualmente participar ativamente daquela coletividade que produzia shows underground.
  Hebert Lima é um destes músicos que vive na constante euforia de produção, com sua banda, a Iluminácidos. Encontra do mesmo modo uma frustação enorme por seu projeto não se estabelecer no meio musical da cidade, e assim é a historia de muitos que fazem música no underground recifense. Hebert trabalha como professor de português e Inglês, constituiu família e hoje mora no bairro da Várzea. Mesmo com a vida amadurecida nunca deixou de investir tempo, dinheiro e muito esforço pra continuar produzindo música com sua banda.
  Hebert tem sua rotina dividida entre ser componente de uma banda de rock suburbana, seu trabalho como professor, o casamento com Rebecca Lima, e seu filho Otto Miguel que tem apenas 2 anos. Em sua vida artística ele encontra os músicos da banda para ensaios e reuniões nas decisões em grupo. Segundo Hebert, é cansativo e prazeroso, por estar exercendo sua função de guitarrista, trabalhando arranjos, composições e cronograma de agenda.


“Tivemos desistências, aí, fomos atrás 
de outras bandas pra fechar a quantidade 
de grupos para projeto”

Membro do Cena Recife - Roque Duoxe


  
  A ideia de juntar bandas para divulgar a cena local não é novidade nenhuma em muitos lugares do mundo. No Brasil existem várias coletâneas de bandas de rock. Então Hebert,em umas das conversas com pessoas que vivem a mesma realidade, trouxe o ponta pé inicial, e ao chegar em casa começou a elaborar um documento pra formalizar a iniciativa de concretizar a Coletânea Cena Recife. Isto começou no início de 2015. Nos meses de junho e julho, estava tudo fechado com os grupos, e, em dezembro, ele conseguiu lançar o disco.
  A Coletânea Cena Recife é um disco com 19 bandas de diversos estilos, que passa pelo Mangue Bit até o Heavy Metal, no cenário da música independente da Região Metropolitana do Recife, que tem em comum as mesmas dificuldades de gravar discos, produzir clipes e participar de eventos que tenham uma boa repercussão.
Além do disco, também foi feito um Canal no YouTube, o Programa Estúdio ao Vivo Cena Recife. As gravações são feitas de forma colaborativa com a ajuda dos componentes das bandas, que se dispõem com câmaras, sendo Draylton Tavares, da Jet Cats, que faz a edição dos vídeos, para publicá-los no canal.
  Uma das pessoas que, de imediato se fez disponível, não só pra colocar a música da sua banda no CD foi Roque Duoxe, 39 anos, guitarrista da Olhos Aquáticos, que trabalha como autônomo com aluguel de som . Ele fornece o aparato de equipamento e é o técnico de som nos eventos, além disso, Roque promove shows em Camaragibe, cidade vizinha do Recife, ele colabora muito com a disseminação da Coletânea Cena Recife. Algumas Bandas viram o convite com desconfiança, por isso “tivemos desistências aí fomos atrás de outras bandas pra fechar a quantidade de grupos para projeto ” ,Confirma Roque.



Foto: Divulgação 



Foto: Duvulgação
Foto:Divulgação

Foto: Jetro Rocha




  O custo para fazer o CD foi baixo, cada banda ficou com 40 unidades. A venda ficou por R$ 5,00, ou apenas os grupos distribuíam objetivando difundir o material produzido, e, além disso, as bandas podem ter camisa da marca e dos eventos elaborados pelo coletivo. 
  
  Ailton, conhecido como Peste, é baterista do Matalanamão há 20 anos e tem uma enorme experiência no movimento underground. Ele é um dos membros do rock and roll do Alto José do Pinho, na zona norte da Recife. O lançamento da coletânea Alto Falante foi em 1998, com show de estreia na comunidade. Muita gente veio ver as bandas, incluindo o Governador do Estado da época, os diversos artistas pernambucanos, artistas nacionais e a grande mídia, que veio fazer a cobertura do evento e das bandas. A MTV esteve muito presente naquele momento. O disco teve uma receptividade muito boa do público e no mercado.


“as pessoas não apareciam muito 
nas reuniões presenciais e quase 
tudo se deu pelas redes sociais”. 

Hebert Lima Idealizador do Cena Recife

  A Alto Falante teve como direção o Instituto Vida que deu todo aparato técnico e financeiro. A Cena Recife foi totalmente viabilizada pelos membros que compõe os grupos envolvidos. “Para a produção da gravação e da prensagem dos discos ninguém gastou dinheiro, foi tudo financiado pelo projeto da ONG”, disse Ailton Peste, baterista do Matalanamão. Cada grupo ficou com 50 discos para vender e distribuir a fim de divulgar seu trabalho.
  Foram no total 3000 cópias de discos, num período em que a internet não tinha tanta popularidade. As bandas não tiveram lucro financeiro com os discos, “Então, nada mais justo, se você não investiu, é natural não ter retorno”, disse Ailton Peste. Na Cena Recife todas as bandas ficaram com seus discos para divulgar seus trabalhos.
  No decorrer das ações, com a cooperação entre os membros mais envolvidos, fez-se fluir uma forma de organização para dinamizar as ideias, intitulando-se Iniciativa Cena Recife, que é composta por seis pessoas na coordenação: Yuri, Baixista da Cospe Fogo; Roque, da Olhos Aquáticos; Humberto, da Sub Efeito; Drayton, da Jet Cats; Rodrigo, da Honestamente Cafajeste, e, Hebert Lima, da Iluminácidos e Noccivos.
  Tudo isto começou com um simples impulso da vontade de fazer e está tomando corpo. Hebert lembra que “as pessoas não apareciam muito nas reuniões presenciais e quase tudo se deu pelas redes sociais”. Mas, enfim os participantes veem que, o que era apenas uma intenção está ganhando espaço num meio que ainda tem muito para crescer, aprimorando o desenvolvimento sustentável das bandas autorais da cidade do Recife.
  Os frutos vieram com novidades muito positivas, como a publicação de uma matéria numa revista especializada de Minas Gerais, e a grande noticia que foi a SAGA HC, uma das bandas da coletânea, a ganhar em primeiro lugar um festival competitivo do Recife Pré Amp 2016. “São parceiros e foram um dos primeiros a acreditar no projeto, e todo mundo que diz que foi muito bem merecido” afirma Hebert. Logo mais a iniciativa Cena Recife vai abrir novas inscrições para o segundo volume da coletânea.



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