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Nanau Nascimento: Do Brega Romântico ao Frevo e Samba


Entrevista 




Por: Jetro Rocha
Edição de Texto: Luciana Ferreira



Nanau Nascimento: Do Brega Romântico ao Frevo e Samba

 Com sua voz encontrou reconhecimento e destaque no Brega Romântico. E, enveredando pelo frevo, conquistou boas críticas, estreitando laços com grandes músicos e compositores

Começou na música muito cedo, na infância, cantando no bar do pai, no bairro da Várzea. Cantou também na Igreja Católica. Viveu no meio do Forró Estilizado e de Bandas de Brega Romântico como a Luminar e a Anjo bom, e depois de ter aula de canto na Escola de Artes João Pernambuco, caiu de vez na noite. Viajou o país com Genival Lacerda e seu filho, fazendo Back Vocal nos shows e gravando discos. Adorou tudo que viveu, em especial nos anos 90, momento de destaque da música romântica. Emprestar seu talento e sua voz nos projetos em que participou a fez ser reconhecida pelo público e tem grande carinho por tudo que viveu neste período.
A partir 2003 foi convidada por Roberto Silva a interpretar suas canções nos festivais de músicas carnavalescas do Recife. Ganhou prêmios e gravou essas canções na coletânea destes festivais. Foi a partir daí que conheceu pessoas que lhe fizeram mudar de estilo radicalmente. Do brega romântico passou a interpretar frevos e sambas. Conheceu compositores e músicos que lhe ajudaram a gravar seu único disco, “Nanau Nascimento: Roda da Vida”,  lançado em 2012 de forma independente.

Hoje faz shows esporádicos, dedicando a maior parte de seu tempo à família, e não tem encontrado espaço no meio artístico pernambucano. Já tem um novo projeto engatilhado, com novas músicas que mostram seu lado mais sentimental, lado esse que, segundo ela, deixou de expressar no seu primeiro trabalho solo. Tem força e garra para recomeçar, e espera que as políticas públicas de cultura a incentivem a dar continuidade a sua carreira.




Quando você começou a cantar?

Comecei a cantar pequeninha no bar de meu pai e depois na Igreja Católica. Fiz três meses de aula de canto na Escola de Artes João Pernambuco, no bairro da Várzea, e caí na noite com uma banda de forró estilizado. Fui então fazer back vocal pra cantores conhecidos como Genival Lacerda, e, com ele e Marines viajei o Brasil todo, e gravei discos. Essa foi uma das melhores experiências que vivi. A partir de 2003 comecei a cantar em festivais de frevo, e o fiz até 2008. A música “Encanto do Poeta” de Roberto Silva ficou em primeiro lugar no festival no Teatro do Parque.

Foi nos festivais de músicas carnavalescas que você usou seu nome com intérprete?

Sim. Roberto Silva foi fundamental. Ele dizia que ia me tirar do brega, mas foi uma época que eu gostei. Foi no movimento brega que as pessoas mais me reconheceram. Não é como a música que tem acontecido hoje. Naquele tempo, o brega era uma musica romântica, como a que eu fazia com a Luminar e com a Anjo Bom. Eu cantava solo, mas nos projetos das bandas.

Nesta transição para o frevo, que mudança houve no seu público?

Uma mudança incrível! As pessoas passam a valorizar mais o seu trabalho como conteúdo. Porque quando você canta brega, eles valorizam num todo. É muito bom o carinho do público. Porém, quando fui para o frevo, as pessoas passaram a fazer críticas legais, e ficamos mais criteriosos com o material que produzimos.

Que trabalhos você fez inserida no frevo?

A partir do frevo conheci pessoas fundamentais na minha carreira. Júnior Vieira compositor; Roberto Silva, que provocou a minha mudança de estilo musical; Mauricio Cesar que é meu produtor hoje; Getúlio Cavalcanti, entre outros. Então, eu passei a almejar produzir um trabalho próprio. Diferente de cantar o que era imposto por projetos de outros, eu passei a pensar que eu poderia dar vida a músicas de amigos compositores, usando uma interpretação só minha.


Depois da participação nestes festivais, em quais lugares você se apresentou?

Fui convidada para gravar as músicas dos festivais pela prefeitura do Recife. Uma destas apresentações foi no Teatro Santa Isabel. Achei maravilhoso! É um sonho de todo artista pernambucano.

Nesta época o que mais você produziu fora o frevo?

Gravei muitos CDs fazendo back vocal. Ainda com Genival Lacerda, e muitos outros que nem lembro. Quando eu gravei meu CD conheci muita gente do samba, que também foram do festival. Através de Sonnia Aguiar conheci Beto do Bandolim e Lucinha Guerra. Isso acrescentou muito na minha carreira em termos de repertório e amizade.


Qual o seu trabalho solo?

O único disco que gravei solo foi o Nanau Nascimento: Roda da Vida em 2012. Foi um trabalho totalmente independente. Tentei financiamento pelo Funcultura, mas não consegui. Pensei que finalmente estava gravando coisas que eu gostava. Naquele momento gravei aquilo, porque era o que me fazia feliz, porém, hoje faria totalmente diferente.

Comente sobre O Roda da Vida?

Comecei a gravar em 2010, ainda com as pessoas que conheci no frevo, e algumas pessoas amigas da Várzea. Reuni-me com Roberto Silva e Mauricio Cesar, que me ajudaram nos arranjos. O Maestro Duda arranjou a música A Roda da Vida e mais algumas. As composições foram de Roberto Semifusa, Junior Vieira, Chic, Elias Paulino, Vânia Veríssimo, Ledo Silva, Humberto e Getúlio Cavalcanti.


Como foram os gastos deste trabalho independente?

Tudo foi do meu próprio bolso. Os músicos, a maioria tocou voluntariamente. Todos me ajudaram muito. As capas eu ganhei através de um serviço do meu marido. Também ganhei a liberação das composições. E o custo foi bem caro, desde as fotos até o estúdio.

Diante das suas experiências, como você vê o mercado Pernambucano?

É difícil. Na Bahia, por exemplo, a classe de artistas se ajudam mais do que aqui. Em Recife é bem mais difícil.

E o público local, como absorve os artistas pernambucanos?

Acho que o público local é bem legal. Percebe-se que os pernambucanos são de bom gosto. Abraçam o trabalho, são bem abertos aos artistas.

Como você vê a fragmentação dos movimentos musicais, visto que temos uma variedade muito grande de estilos em Pernambuco?

Percebo que as pessoas de outros estados valorizam muito mais a nossa musicalidade do que os pernambucanos. Geralmente as bandas crescem mais fora do estado. A música de raiz sobrevive fazendo shows em outros lugares. Temos uma riqueza que não podemos nem dimensionar que é valorizada no mundo inteiro.

Na cena pernambucana, qual  trabalho que você destaca atualmente?

Achei extraordinária a Banda Cabugá. A vocalista tem muita presença de palco, canta e dança. A chamo de Chico Science de saia, e a conheci aqui na Várzea num polo de carnaval. Nunca tinha ouvido falar na Banda e fiquei encantada. O publico aplaudiu de pé.   
                  
Fale das dificuldades de não conseguir trabalhar com seu projeto?

Cheguei à conclusão de que foi trabalho que eu gosto, mas não foi o trabalho que povo gosta que eu faça. Hoje tenho um segundo projeto, não gravado ainda, com o repertorio que eu gosto e que o povo gosta. O que faltou foi o que minha irmã disse: colocar meu lado mais sentimental. 














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