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Aldo Lins | Zine Poesia POO #02










Estigma        



Acordei chorando
Jorrava de dentro de mim
Toda uma denúncia de tudo aquilo que sou.

Vagabundo, maluco, moribundo
Anarquista, amante, poeta e sonhador.

Não me conheço,
Aliás, só por fotografia
Não sou lavoura nem edifício.
Sou um homem que passou fome
Escarrou sangue
E foi preso como anarquista.

Também não sei mais sorrir
A minha pele hoje
É uma tatuagem cheia de escamas
Até o meu canário fugiu da garganta
Deixando minha alma de vidro
Perdida pelos escombros
Útero as solidão

Meus trinta anos
O que direi a eles
Quando reinar o eclipse da despedida
Haverei de doar meus olhos
Para alguém poder te ver.

Pois quem sabe um dia
Eu hospede da utopia
Assustado com a sombra
Dos meus próprios sonhos
Seja encontrado sem vida
Sentado num cabaré vazio.   


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